segunda-feira

O primeiro banho

Algumas pessoas, quando vêm nos visitar, me perguntam como foi dar o primeiro banho. Quem me conhece sabe que esse era meu maior pavor antes da Petit nascer. Eu tinha medo que ela escorregasse e eu viesse a afogá-la. Pavor mesmo... Coisa de mãe de primeir viagem, eu sei, mas eu sentia isso e falava às pessoas. Bem... o primeiro banho foi tão tranquilo que só depois de ter dado é que me dei conta que havia superado aquele momento, que antes parecia ser tão aterrorizante para mim, com absoluta calma. Tudo bem que eu "roubei no jogo", mas isso também está valendo quando o beneficiado é o bebê.

Eu comprei nos EUA uma espécie de espreguiçadeira que coloco dentro da banheira e recosto a Petit nela. Desta forma, minha filha fica melhor acomodada e eu fico mais livre para banhá-la. Eu me sinto mais segura e ela fica mais feliz. Aliás, ela adora o banho. Dá uma olhada !

Aqui no Brasil tem umas redes que podem ser usadas em qualquer banheira de plástico rígido e fazem o mesmo efeito. Compramos uma destas para usar na casa da vó Ana na próxima viagem. Bem legal e ajuda bastante. Recomendo. :)

domingo

3.420 !!

A Petit engordou bem, apesar do vômito continuar. Batemos a meta de ter peso de criança normal...3.420 ! A-D-O-R-E-I !

De geração em geração...

Essa roupinha vermelha foi minha e hoje está na minha filha. Legal a minha mãe ter guardado... Ela está tão bonitinha de vermelho, não acham ? ;)




Essa outra roupinha vermelha foi a Tia Fê que deu. Eu acho que ela ficou tão lindinha... :) Não é das antigas não, mas é vermelha e a minha vó Ana e meu vô Paulo adoram vermelho. :)

Miliária

Miliária é uma ocorrência médica da pele também conhecida como brotoeja. Muito comum em bebês, ela apareceu recentemente no rosto da Petit. É uma coisinha feia e chata mas sem maiores complicações. estamos tentando refrescá-la ao máximo e isso deve resolver o caso em alguns dias. O calor local não ajuda, talvez comprar um ar condicionado ou climatizador sejam a solução. Se vc é mãe de primeira viagem, como eu, não se assuste ! Leia mais sobre o assunto aqui ou aqui.

segunda-feira

Primeiro mês de vida !!

No sábado, dia 18, a Ana Luisa completou 1 mês de vida e nós nos reunimos na casa da Tia Lúcia e Tio Zito para comemorar. Foi muito legal. Cantamos "parabéns para você" sussurrando porque a Petit estava dormindo na hora e não queríamos acordá-la. Não pensávamos em comemorar mas dizem que "é de praxe" e achaos que era uma data digna de ser comemorada mesmo. A Petit passou por muitas coisas para conseguir chegar até aqui. O parto antecipado, os dias UTI, a dificuldade de adaptar-se a uma vida antes de estar pronta para isso. Ela, bravamente, vem crescendo, engordando e se mostrando pra nós e pro mundo. Sem falar que estávamos num grupo bem querido de pessoas...





O primeiro mês é de muito aprendizado para todos. Ela precisa aprender a se virar fora da barriga e o maior aprendizado de todos é mamar. Saber pegar o peito do jeito certo e sugar o leite para saciar-se é um desafio que precisa ser superado logo no primeiro encontro. Nem sempre acontece. Muitos bebês demorar para fazer a pega correta e, neste processo, mãe e bebê sofrem, passam por momentos de inquietação, ansiedade e alguma vezes até de dor ( para a mãe, que fica com o bico do seio bastante machucado até que todo o processo se arredonde ). Tudo isso é normal. Comigo não demorou muito, mas custou um pouco para que todas as pegas fossem bem feitas. Em algumas mamadas parecia que era peito demais para boca de menos, o bico do seio machuca, sente-se pontadinhas finas de dor. Mas quando a pega fica bem feita, amamentar é um momento maravilhoso, um instante da mãe e do bebê que proprociona uma intimidade, uma sintonia entre os dois. É muito bom.

Mamar não é o único desafio. Logo eles aprendem a chorar para avisar de suas necessidades e cada choro é diferente. Choro de dor, de fome, de sono, de ansiedade, de dengo... Eles precisam aprender a conviver e a ficar só, desenvolvem suas capacidades emocionais, físicas e motoras, enfim...

Para nós, pais, o aprendizado não é menor. Precisamos aprender a incluir este novo ser em nossa família, em nosso cotidiano, exercitar os sentidos para perceber os sinais de necessidades do bebê, aprender ( e ter coragem para fazer sem erros ) o banho, trocar fraldas, amamentar, limpar umbigo, manusear a nossa filha com o máximo de conforto para ela.

Por vezes, o cansaço, de ambas as partes, é imperativo e um complicador a mais que precisa ser administrado também. Mas tudo se resolve com parceria e companheirismo.


Nós resolvemos. Completamos o mês, estamos apaixonados por ela e sobrevivemos bem à todas essas tarefas. E posso te dizer... é bem mais simples do que parece e muito, mas muito prazeiroso mesmo! :)

Ps.: close no bolo, feito com muito carinho pelo vovó Tânia. O rosa, para ser bem natural, foi obtido com tinta de beterraba. :)

Banho de vó é mais gostoso !

Ah, a vovó Tânia me deu banho e eu adorei o carinho. Olha só a farra, como foi gostosa !

Susto ! Seria Pneumonia ?

A Ana Luisa apareceu meio gripadinha esta semana. Nariz cheio, tosse, espirros. Num dia era só uma vezinha, no outro dia já era uma coisa grande. O Pediatra não achou que fosse nada e receitou apenas Sorine. Não fiquei satisfeita, não vi minha filha reagir e vi só piorar. Achei que o pediatra comeu mosca e resolvi levá-la a outro. Dito e certo. O pediatra do Santa Lúcia fez um raio x de pulmão, exames de sangue para verificar anemia e uma possível infecção. A suspeita era pneumonia mas graças à Deus não era não... Ela estava é com o peito cheio de catarro. Precisava ser observada, precisava de remédios e de carinho. E precisava trocar de pediatra !! Ufa ! O susto passou. :)

quinta-feira

LINDA !

Quando comprei roupinhas para a Petit, sabia que muitas se perderiam logo. Umas que eram imensas nela quando ela nasceu, estão começando a caber e rapidamente se perdem também. Mas preciso confessar que vale a pena comprar algumas. Ela fica tão fofa.... vejam as fotos.

Consulta de 1 Mês

Com um mês de vida, é indicado voltar a pediatra. Essa consulta de retorno faz parte do procedimento padrão e serve para uma avaliação geral, pesagem e etc. A Ana Luisa está agora com 3065kg. Uma gorda deliciosa ! As gofadas continuam mas tenho fé no remédio. Além dele, o pediatra sugeriu reduzir o tempo entre as mamadas e oferecer o peito antes que ela peça, desta forma ela não mama de forma tão esfomeada e comerá menos, podendo resultar em menos gofadas. Vou tentar.

Os gases também continuam e dá dó olhar para ela sofrendo sem derramar uma lágrima se quer de dor.

Agora ela fica com narizinho cheio. O pediatra prescreveu Sorine infantil, 3 gotinhas.

O ruim disso tudo é que cada intercorrência, cada probleminha assusta a gente porque ela é tão sensível.... Será que a vida de mãe é assim, num sobressalto ?!

Maldade

Maldade é coisa chata de ver acontecer. Quando é com criança então... Mas ontem, eu cometi uma maldade com a Petit. Na tentativa/luta de cortar as unhas dela, eu cortei um pedacinho da pele do dedinho dela. Sangrou muito depo depois. Na hora mesmo, não saia nem uma gota de sangue. Ela chorou quando toquei no dedinho. Chorou mais ainda quando eu limpei com alcool. Eu chorei de tristeza, arrependimento, culpa. Contei pro André em lágrimas, assumi pro pediatra como quem assumia um crime. Escrevo aqui para pagar meu pecado. HUMPFT !

quarta-feira

Presentinhos

Eu adoro receber visitas. E adoro ganhar presentes. Algumas visitas trazem presentes. Outras não podem visitar e mandam presentes pelo correio. Adoro tudo. :) Olha só como eu vou ficar linda com essas roupinhas que vou ganhando...





Visitas

A lista de visitas aumentou bastante. Além da vovó Tânia, que chegou esta semana, também recebemos a visita dos amigos da mamãe. Vieram : Marco, Luisa, Leo, Barbara, Luciana, Rafa, Marry, Anna Aimé, Lélia, Marcelo e a Lídia. Foi tão legal ter essas pessoas todas em casa !!

A tia Luisa me deu até banho, ajudando a minha mamãe.


A tia Lélia me fez muito denguinho e me apresentou à minha futura amiga, Lídia. :)

Vovó Tânia

A vovó Tânia chegou esta semana para passar uns dias aqui com a Ana Luisa. Elas ainda não se conheciam mas já se gostaram. Eita que vão ser dias de muita curtição e, como não podia deixar de ser... a Ana Luisa batizou a vovó Tãnia. Vejam a foto. :)

Bebê fashion


A Ana Luisa está começando a conseguir usar as coisinhas legais que ela tem. Demora um pouco até caber mas, quando cabe, perde rapidinho. Os 2 macacões que a vovó Ana comprou ( e que até pouco tempo eram as únicas roupas que cabiam ) já não cabem mais. Não dá para esticar as perninhas neles !

Agora, olha o charme que ela ficou com os sapatinhos nike !! Semana passada eles nem cabiam. Esta semana estão ficando bons. No ritmo que estamos, semana que vem não cabem mais no pé. Ela ficou uma coisa fofa. E com os brincos então... :)

quinta-feira

Orelhinha furada

Antigamente as bebês menina já saiam do Hospital com a orelhinha furada. Hoje em dia, a maioria dos hospitais proibe isso para evitar risco de infecção hospitalar. Antes, usavam uma pistola para furar a orelha. Até em farmácia fazia. Hoje em dia também não fazem mais assim. Hoje, para furar a orelhinha da Petit, tive que chamar uma enfermeira do hospital aonde ela nasceu. O serviço é feito em casa, usando como instrumento o próprio brinco que será colocado, e é pago à parte. Custa R$ 40,00. Quem fez o furo da Ana Luisa foi a Leila. Eu nem consegui olhar... Quem acompanhou foi minha mãe. Ela marca o local do furo com uma canetinha, esteriliza o brinco mergulhando ele em alcool a 70% e depois fira no ponto marcado usando o próprio brinco. A Petit chorou. Eu fiquei nervosa de dó e agonia. Não saiu uma gota de sangue. Ela parou de chorar assim que o brinco foi colocado. Logo pediu para mamar e a vida voltou ao normal. Simples assim...

Em breve, foto da Petit com brinco. AGUARDEM. :)

quarta-feira

Visitas

A Ana Luisa tem recebido tantas visitas que a gente acabou ficando sem tempo de vir aqui escrever...

As primeiras visitas que ela recebeu foram da vovó Ana, tia Lúcia e tio Zito, mas a lista não acaba aí. Enquanto estávamos no hospital recebemos as visitas de :

Família de Brasília : tio Alex e tia Polly, tio Fábio, tia Leda, tio Vadinho.
Amigos da mamãe : Rafaela, Ícaro, Luisa, Luciana, Ana Maria, Camila, Lucimar.

Em casa as visitas continuaram. Os tios de Brasilia já foram muitas vezes nos visitar em casa e adoramos todas as visitas. O Marco, amigo do trabalho da mamãe, também veio. O tio Fábio voltou trazendo a tia Carol, tia Angela e tio Amaury. A tia Lucimar veio com o Chico. As tias Marry e Aimé almoçaram com a gente e nem queriam mais ir embora !

Ahhhhhhhh, tem sido bem legal receber tantas visitas aqui !! ADORO. :)

segunda-feira

A primeira peripécia

A primeira arte da Ana Luisa não demorou a acontecer. Com 9 dias de vida ela aprontou uma "daquelas" e comigo !! Olha só a foto abaixo :



Enquanto eu trocava a fraldinha dela, ela simplesmente me deu um banho de...cocô. Tá aí a foto para provar. Acreditam nisso ? A petit é boa de alvo. :) E acredita que o treino leva a perfeição, porque depois desta vez aí, já foram mais 3 de cocô e uma de xixi !! Agora... fala aí... em que outra situação um banho de cocô seria relatado com apenas humor...?? Filhos !! :)

Os primeiros dias

Ter a Ana Luisa em casa é uma benção inacreditavelmente boa. Lutamos muito para tê-la e vê-la aqui, sã e salva, linda, dá uma sensação de paz interior indescritível.

É claro que nem tudo são flores. Dorme-se pouco ou nada; o cansaço é absurdo; tudo, absolutamente tudo, é um aprendizado, uma novidade; dá medo de fazer umas coisas ( limpar o umbiguinho, por exemplo )e medo de não conseguir fazer outras ( e se eu não a escuto á noite? ), mas é tudo tão pequeno perto do sorriso dela e da sensação de segurança que percebemos dar a ela... :)



Minha mãe tem sido inacreditável. Ela está aqui desde o dia do parto e eu não sei o que faria sem ela. Ela me passa uma sensação de calma e uma certeza de que serei capaz de fazer tudo que for necessário. Coitada, morro de dó do esforço, do cansaço, das horas e noites em claro junto comigo, das olheiras imensas que acompanham o sorriso largo pela neta, a primeira!, mas sei que ela não estaria feliz se não estivesse vivendo tudo isso. E eu fico segura, feliz, agradecida e MUITO orgulhosa de poder tê-la comigo. Sei que nem todo mundo tem essa alegria e posso dizer que faz sim toda a diferença.

A Ana Luisa recebe atenção 24x7. Passamos as madrugadas acordadas ou intercalando sonecas curtas, entre trocas de fraldas e mamadas. Minha mãe nos ajuda em tudo e vai além do necessário, dando colo, fazendo dengo. :)



Os meus primeiros passos estão sendo mais seguros graças a ajuda dela.

A Ana Luisa é um doce de criança. Não chora, não reclama, dorme bastante e come super bem. Dá o trabalho esperado para uma criança desta fase, mas nada além disso. E eu agradeço a Deus todo dia por conta disso. Deve ter puxado ao pai, mais tranquilo do que eu... :)

Aliás, falando nisso, todos dizem que ela é a cara do pai. Eu acho que ela é a combinação perfeita de nós dois. Os pés dele, as minhas mãos, o nariz dele, a minha boca. Fooooooooooofa !

Parto e as primeiras horas

Aposto que vc já ouviu falar coisas terríveis sobre o parto cesárea, não foi ? Pois é, eu também. Mas eu estou prestes a compartilhar com vc um depoimento bem favorável à cesárea. Note, não sou uma entusiata deste tipo de parto. Nem tenho nada específico contra ele. Acho que a escolha deve ser do casal e do obstetra e deve considerar cada cenário, cada gravidez. No meu caso, o parto normal deixou de ser uma alternativa por volta do sétimom~es, quando a pressão começou a subir por razões emocionais apenas. Daí em diante, a pressão arterial manteve-se em alta constante ( pelo menos 13x9 ) e ficou claro que a casárea seria mesmo a indicação.

Eu não tinha medo. Desprezei muitas histórias e depoimentos que me contaram. Não pensei em nada, só no que seria melhor para mim e para a Ana Luisa. Com pouco mais de 7 meses, quando o exame acusou incisuras uterinas, a gravidez começou a ser um risco até mesmo para mim e a cesárea era só uma questão de dias.

COMO FOI ?

Cheguei ao hospital às 06 para a cesárea marcada para às 08. Demos entrada nos papéis e aguardei me alocarem num quarto e me orientarem. Tiraram pressão arterial, me deram um roupão hospitalar para vestir. Quando estava pronta, fui levada para uma sala pré-cirúrgica.



Checaram o laudo pré-anestésico, minhas últimas ecografias, cobriram meus pés para que ficassem aquecidos. Meu marido ficou comigo. Duas enfermeiras vieram colocar um cateter e um soro em mim. Nem quero cmeçar a descrever o tamanho daquela seringa. Grande e grossa para uma coisa que ia espetar meu pulso !!
Aquilo doeu MUITO. Uma lágrima solitária deve ter escorrido pelo meu rosto. Não lembro. Só lembro da dor.

Quando me levaram para a sala de cirurgia, eu estava assustada com a dor do cateter mas estava bem. Todos riam, conversavam entre si e comigo. O estado de espírito geral era ótimo. Tinha um alto astral no ar.

Uma enfermeira conversava comigo e me dava algum conforto. pedi a meu marido que não me deixasse ver o tamanho da agulha da anestesia. Sabe como é... o que os olhos não vêem... :) Ele foi perfeito nisso. Até hoje não sei como é a agulha !

Recebi ajuda para sentar na maca e colocar o corpo bem inclinado para a frente. Quando mais para frente vc ficar, mais fácil para o anestesista. Eles aplicaram uma anestesia local e, por cima dela, a anestesia da cesárea ( RAQ ). Não senti nada. Uma picadinha sutil, indolor, imperceptível. O cateter ( que continuava dolorido ) foi infinitamente pior.

Na minha frente foi pendurado um pano cinza que tapava completamente a minha visão de todo o resto da sala. Daí em diante, eu não via nada e não sentia nada dos seios para baixo. Uma sensação engraçada de leveza, de vazio. Eles já tinham feito o corte e eu não sentia nada, nada, nada. O anestesista veio fazer pressão na minha barriga. Isso ajudaria o obstetra a tirar a Ana Luisa da barriga. Senti uma mão empurrando a minha barriga e só.

De repente, silêncio na sala. Uma ameaça de choro que durou um segundo e de repente todas as pessoas saíram da sala. Ficaram apenas o obstetra e sua auxiliar. Silêncio. Ninguém mais falava comigo. O André me deu um beijo na testa e me disse que ia acompanhar a Ana Luisa. Aonde estava aquele choro estridente que todo mundo diz que é a primeira reação do bebê ao nascer ?? Quando iam trazer minha filha para eu ver ? Estavam apenas limpando ela ou havia algum problema ? Eu tinha muitas perguntas, nenhuma resposta e nenhuma condição de levantar daquela mesa...

Em meia hora o parto estava terminado e eu estava recosturada. Antes de ir embora, pedi ao obstetra que checasse minha filha, que me dissesse alguma coisa... Ela estava bem ? Aonde estava ?? Qq resposta eramelor que nenhuma. Ele voltou com respostas básicas, o mínimo de informação para me acalmar. Ela estava bem mas precisou ir para a UTI neonatal tratar um desconforto respiratório. Parecia simples...

Fui levada a uma sala de pós operatório até que o efeito anestésico passasse. Aquela espera foi angustiante. Além de mim, outras mães estavam lá. Todas, cedo ou tarde, recebiam seus bebês, menos eu. Elas me perguntavam e eu não tinha respostas satisfatórias nem para mim mesma... Uma pediatra apareceu e repetiu o que o obstetra tinha me dito. A angustia aumentava. Àquela altura eu queria mais que respostas. Queria ver minha filha, fosse do jeito que fosse, na UTI ou fora dela.

Como sabemos, querer não é poder. Depois que a anestesia passou mais e comecei a ser capaz de mover as pernas, fui levada ao quarto aonde o André, minha mãe e minha tia Lúcia já estavam. Fui recebida com carinho e ansiedade. Só então vi a Ana Luisa pela primeira vez, mas ainda por fotos. Foi um choque, um alento, tudo ao mesmo tempo.

O parto começou às 08, a Ana Luisa nasceu às 08:28, eu subi para o quarto às 11 e às 16 fiz minha primeira refeição desde a noite anterior ( estava em jejum total, inclusive de água, mas não tinha fome ). Depois da refeição, o banho. A enfermeira vem ajudar e pergunta quem é o obstetra. Quando falo o nome do meu, ela responde rapidinha :

- Ah, ele não gosta de curativo e nem cinta. É só lavar com bastante água corrente.

E foi o que fiz. Levantei da cama sozinha, quase sem ajuda. Estava bem ereta ( coisa que me diziam que seria impossível se fizesse cesárea ) e segura. Tomei banho e lavei o local da cirurgia com água e sabão. Secamos e foi só. Não havia sangue, não tinha curativo algum e só se viam 3 pontos. O meu obstetra faz ponto de cirurgia plástica, interno em sua maioria, e faz o mínimo externo. Sem falar que ele faz o corte beeeeeeeeeeem embaixo, super discreto. Achei ótimo.

Saí do banho apressada. Já estava bem e pensava só em ver a minha filha. Ela estava na UTI ainda e foi para lá que fui. Entrar numa UTI Neonatal é delicado. A higienização deve ser cuidadosa e bem feita. Lavei os braços, as mãos, coloquei um novo roupão hospitalar. Esperei ser autorizada a entrar e recebi as primeiras informações sobre o estado de saúde da Ana Luisa. Ela estava com uma sonda no nariz, um cateter na mão, só de fraldas, na incubadora.

O QUE SENTI ? Um alívio enorme por vê-la, um medo imenso por vê-la ali daquele jeito e uma sensação terrível de impotência que se repetiu várias vezes até que saimos do hospital. A primeira vez que a toquei foi dentro de uma incubadora. Amamentei a primeira vez dentro de uma UTI, com minha filha ligada a um cateter e a um computador que emitia uns sons e apitos que monitoravam os sinais vitais dela. Dava vontade de arrancar tudo e sair com ela dali. É claro que aquilo era uma ajuda, e eu sabia disso, mas não era assim que eu queria ver a minha filhinha. Para uma mãe de primeira viagem, aquilo estava bem fora do script.

Ninguém me disse e não há prova alguma do que vou dizer mas gosto de pensar que amamentá-la foi um diferencial importante que a ajudou a sair mais rapidamente da UTI. Sentia que compartilhávamos uma força, uma energia que era boa para ela. Voltei à UTI, sempre que me deixavam, para dar um minuto que fosse de mamada. Ela tinha dificuldade em sugar e por isso um minuto ganhou proporções de uma hora para mim.
Até o tempo muda de referência quando se tem filhos...

Quando ela veio pro quarto, achei que estávamos com um pé na porta, mas aí, na hora da alta, o pediatra notou um comecinho de icterícia e lá vamos nós para um novo tratamento. NAquele momento eu estava exausta de esperar sair com ele e ter sempre uma "coisinha" que ainda impedisse. Desta vez ela fez fototerapia. Montamos uma "casinha" no quarto do hospital e colocamos ela no meio, com os olhos cobertos, tomando uma luz azul um dia e uma noite inteirinhos. Isso exigiu vigilância constante, 24x7, pois a luz é danosa aos olhos e a Ana Luisa insistia em retirar a venda sempre que tinha uma chance. Foi uma noite que mudou o sentido da palavra DIFICIL para mim. Aliás, esses 4 dias na UTI fizeram isso. Difícil foi não ouvir minha filhinha chorar ao nascer, foi passar 9 horas sabendo que ela estava na UTI e sem poder vê-la, foi vê-la nas primeiras horas de vida ligada a sondas e cateters e depois vê-la no tormento da fototerapia. ISSO É DIFÍCIL. O resto, as coisas que eu até então achava difícies, ficou claro pra mim que eram bobagens, coisa da vida. Foi nesse momento que a minha ficha caiu. Eu agora sou Mãe.

Pós Parto

Durante a minha gravidez, várias vezes ouvi pessoas relatando como seria quando a Ana Luisa nascesse. Depois que a ana Luisa nasceu, percebi que todos estavam enganados e que jamais ninguém poderá relatar esse momento com propriedade... é tudo muito único, particular, raro e mágico.

A primeira coisa que senti foi falta da barriga. Ter aquele barrigão e sentí-la mexer lá dentro era uma das sensações mais gostosas que eu já tinha experimentado na vida.

A outra coisa que senti foi que a cesárea é muito mais simples do que contam. Fiquei de pé no mesmo dia do parto, ereta, sem medo de que os pontos abrissem ou coisa parecida. Não usei cinta, compresa ou curativo. os pontos dados foram de plástica, bem discretos e apenas 3 externos. Eu carreguei minha filha no mesmo dia do parto e saí andando do hospital.

Tudo que li nos livros serviu de referência teórica mas a prática é muito mais dura e simples. Tinha pavor do banho e dei o primeiro sem nem me lembrar disso. Tinha certeza que amamentaria sem problemas e chorei muito quando o seio ficou tão dolorido que tive que amamentá-la com NAN SOY. Tudo muda. Nada muda. Tudo é sempre uma experiência peculiar, particular.

Anote isso : a sua gravidez, seu parto, tudo isso jamais será nem de peto igual ao de outra pessoa e cada relato será sempre diferente do outros. Essa é uma verdade universal.