sábado

Para, que eu quero descer (mas só pra respirar e voltar pra labuta!!)

Quando descobri que estava grávida, a minha cabeça ficou uma confusão só. Acho que já falei disso aqui. A gravidez não foi planejada (apesar de estar nos nossos planos futuros uma segunda gravidez) e o momento era super confuso. Chorei nos primeiros dias. Estava sem meu marido, que ainda não tinha conseguido transferência de Brasília para Salvador, a morte do meu pai ainda era recente e tinha mexido muito comigo, a minha vida toda tinha mudado (cidade, trabalho, casa, tudo). O problema é que ao mesmo tempo em que eu nem sabia se queria estar grávida, eu me culpava demais por se qur pensar assim... Não sei se daí ou de algum outro mecanismo estranho e complexo, fui me interessando pela minha filha. Sei que não tive uma gravidez exemplar. Queria demais ter tido mais paz. Mas não deu, e não dá pra chorar por isso pro resto da vida então o jeito é trabalhar para compensar esse tempo depois dela já ter nascido.

Eu me apaixonei pela Carol algum tempo depois que ela nasceu. Numa semana que fiquei sozinha, sem ajuda, sem apoio, só eu e ela. Acho que estava faltando aquele tempo pra nós. Pra gente se olhar, se sentir, se amar. E foi mágico. Tudo mudou pra mim naquele dia.

De lá pra cá, a vida ficou muito louca mas boa, muito boa. Ter duas crianças tão pequenas em casa ao mesmo tempo é uma correria danada, tem horas que eu surto, me arrependo, me culpo, mas vejo que as coisas se ajeitam.

Sou uma mãe bem normal, bem padrão. Não sou, definitivamente, mãe de revista, de mundo perfeito e maternidade de fadas. Amo as meninas, adoro ser mãe, acho que foi um acerto e tanto que eu e André fizemos na vida, mas sou mãe de primeira viagem sempre, em tudo, diariamente. Erro. me culpo, me arrependo, me corrijo, me preocupo.

Apesar da aparente certeza nas coisas todas, rola muita dúvida também. Dar limites, é uma luta diária. Como ser rígida sem ser rude, é outra. Não enlouquecer e nem ceder com o choro é um desafio. Ensinar a comer bem depende de um esforço imenso! E sabe o que deixa tudo mais difícil ? A idéia de que você, como mãe, tem todas as respostas certas e por isso todo mundo te pergunta !

Ai,ai, às vezes eu nem queria ouvir a pergunta, menos ainda responder. Não por fuga, ou por indecisão, mas por cansaço mesmo.

Eu não sei se um bebê que nem rola deve sentar e se isso fará mal à sua coluna. Eu não sei o quanto de regressão é esperado numa criança de 2 anos após o nascimento da sua irmã. Eu não sei como fazer para ela comer qualquer coisa além de carninha. Eu nem sempre sei separar as traquinagens normais da idade com aquelas fruto de ciúme e necessidade de chamar atenção para si. Posso ficar aqui por horas listando coisas que não sei, mas faço, respondo, acredito.

Instinto ? Poder de decisão ? Sei lá... Como disse, às vezes é só cansaço. Fica mais fácil resolver logo a questão e tirar ela do meu caminho.

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